Tempo – vilão ou herói na sua vida?

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Sempre tive uma relação complicada com o tempo, meio de amor e ódio. Mas conseguia administrar minha profissão, os cuidados com a minha família, minha casa e agenda pessoal. De vez em quando me sobrava algum tempo, raramente aproveitava. Negligenciava a mim mesma.

Ler sempre foi o meu hobby, me tranquiliza, chego a sentir uma certa tensão quando não consigo acompanhar os temas que considero importantes. Antes da casa, da família, da filha, do cão e gato, conseguia ler alguns livros, mas o tempo tornou-se escasso para a atenta compreensão de obras como Saramago, Moacir Scliar. Agora dedicava este momento na leitura de historias para minha filha, todas ilustradas com imagens fantásticas e pop-ups gigantes.

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Os livros que li para ela, sentada na beira da cama, muitas vezes exausta, rapidamente foram substituídos por livros sonoros, numa fase que a criança quer ouvir as mesmas historias dezenas de vezes. Pouco tempo depois, como num piscar de olhos, ela já estava lendo sozinha suas historias favoritas. Por mais presente que estive, fui surpreendia pela velocidade das fases do desenvolvimento de uma criança.

 

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Arquivo pessoal/Todos os direitos reservados ®

 

O tempo escapava como areia entre meus dedos, pelos meus olhos refletidos no espelho, onde eu passava cada vez menos tempo me observando. Simplesmente não tinha mais tempo para fazer um penteado, ligar para uma amiga, escrever um cartão.

Dormia na segunda e acordava na outra segunda, com a percepção que o tempo não era linear. Não estávamos comemorando o Natal mês passado? Agora faltam menos de 4 meses para um outro Natal!?

Pesquisei para saber se o tempo ainda era o mesmo, mas os dias, as horas, os minutos e segundos permaneciam os mesmos.

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Passei parte da vida acreditando que o tempo era algo que deveria aproveitado, 24 horas, 7 dias por semana. Na minha infância, a frase “Times is Money”, parecia o ápice da intelectualidade, o caminho certo, a fórmula para o sucesso. Me mantive assim, ativa e operante por no mínimo 16 horas por dia, adiantando cada minuto, para que o próximo fosse melhor aproveitado, num ciclo incessante de aceleração.

Cada vez mais munida de todo tipo de tecnologia, que me ajudasse a reduzir o meu tempo na cozinha, com uma máquina de lavar louças, ma lavanderia com máquina de lavar e secar, no trabalho com computador e internet mais rápidos, sincronização de dados, reuniões on-line, máquinas e mais máquinas, todas dignas de uma nova revolução, e nada de tempo…

 

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Enquanto o tempo agia sorrateiramente, fui mudando junto com ele, sutilmente. Quase sem perceber, fui desligando os fios da tomada, respirando cada vez mais fundo. Restabelecendo a minha força, coragem e paz interior. Como não estava em busca de resultados, eu nem imaginava que fossem possíveis, fui aceitando as condições imutáveis do tempo, e cada ação que executava, me permitia que esta aceitação se tornasse efetiva dentro do meu coração.

Quando a rotina cessava, livre de automações, me via totalmente tranqüila com o tempo, como em um estado de espírito onde: “ok, estamos juntos, agora quem manda sou eu”. Esta paz, onde o tempo não me importava, sempre ocorria quando fazia algo que adoro, como escrever, ler ou qualquer coisa que me proporciona uma experiência nova, uma descoberta, um outro ponto de vista. Neste momento via que o tempo parava para mim, gentil e carinhosamente.

Descobrindo o que roubava o meu tempo

O tempo sempre será o vilão se eu não aprender a otimizá-lo: Comecei fazendo uma lista de tudo que me deixava dispersa, tive que ser verdadeira e abandonar o que era improdutivo, que me fazia perder tempo por tédio, hábito. Um exemplo: Quanto tempo eu gastava na frente da TV? Calculei todo este tempo gasto em uma semana e notei que me sobraria um bom tempo para fazer algo importante, como ler minhas revistas e jornais empilhados aos lado do sofá.

Saber dizer “não” ao que toma tempo

Percebi que estava sempre envolvida em projetos que não eram os meus, compreendo que muitos necessitam de ajuda, mas estava aceitando mais obrigações que eu podia administrar. As vezes cumpria com os meus próprios deveres à altas horas da madrugada. Um simples: “desculpe-me, infelizmente “não” posso”,  teria resolvido, e me manteria mais feliz. Realisticamente, estive em muitos desses compromissos apenas fisicamente, mentalmente estava em outro lugar.

 

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Deixei de me importar com o tempo

Quando escuto música o tempo deixa de ser importante, o mesmo acontece quando estou onde eu quero, com as pessoas que aprecio. Passei a permitir que bons momentos se estendam, sem a pressão do tempo. Evito também que a afobação dos outros interfiram no meu bem estar.  Se o garçom leva meu copo antes do meu ultimo gole, peço outra bebida, ou vou para um outro lugar, se o papo estiver bom, por que não continuar!

Aprendi a ser uma pessoa mais calma com relação ao tempo. Claro que ainda noto o passar das horas, mas não caio na rotina. Intercalar o necessário, com o que me dá prazer, me tornou mais criteriosa. Tenho tempo agora para observar a chuva, sentir o cheiro de terra molhada sentada na minha varanda. Me permito parar simplesmente para observar os pássaros no final da tarde, e ouvir em silêncio os meus pensamentos.

Hoje compreendo que o tempo definitivamente não é mais meu inimigo, tenho uma relação mais leve com ele, não tenho a intenção de controla-lo, agora ele segue o meu ritmo, e não ao contrário. Não deixo que ele me roube o que eu valorizo.

Ana Claudia.

 

E você, como esta lidando com a passagem do tempo? Diz pra gente o que achou deste conteúdo em comentários logo abaixo.⬇️

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