Afinidades – Você realmente encontrou a sua tribo?

afinidade de um grupo
PHOTOGRAPHY -ILKA HARTMANN Anti-Nuclear Protest in San Luis Obispo, California June 30, 1979)
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O que a fábula “O patinho feio” nos ensina sobre afinidades

Você se sente um peixe fora d’água? Já parou pra pensar que o problema não é ser peixe, mas estar fora da água – o seu hábitat?

Qualquer que seja a sua religião ou sua convicção política, qualquer que seja o saldo em sua conta bancária, a sua idade, o formato do seu nariz, o tamanho do seu pé, você precisa encontrar a sua “turma” e descobrir a sua “praia” pra fazer valer o ingresso no mundo.

Muita gente não se dá conta da importância disso, e passa a vida em isolamento, frustração e desconforto: uma existência embaçada.

 

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Você já sabe onde fica a sua praia e qual é a sua turma?

A sua turma são as pessoas com quem você está “em casa” e tem profunda conexão cognitiva ou emocional. Se você já teve a sorte de encontrá-la, pode confirmar: nesse grupo, a conversa corre solta, livre e sem ruídos, chovem piadas internas, o riso sai fácil, a sintonia é fina e a empatia é total.

E a sua praia são as atividades – sejam elas quais forem, profissionais ou não – que o deixam realizado e alegre, que você faz com “alma” e sem perceber o tempo passar.

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Juntas, a tribo e a praia formam um ambiente de extrema fertilidade – o seu universo de afinidades –, no qual você é e dá o melhor de si. Esse meio propício é fundamental para que você consiga realizar o seu potencial, fazer no mundo o que veio fazer e deixar por aqui a marca da sua singularidade.

Longe dele, em geral você vai caminhar com muito menos força e ânimo, pisando em ovos ou, pior, em pregos. Além disso, vai acabar forjando uma versão piorada de si mesmo para lidar com situações de incompatibilidade em vários níveis:

 

  • nível 1: não chega a doer, mas é desconfortável como uma coceira persistente, ou como a insônia;

 

  • nível 2: incômodo como uma ressaca;

 

  • nível 3: terrível como uma enxaqueca;

 

  • nível 4: insuportável como estar dormindo o sono dos justos – depois de superar a insônia, a enxaqueca, a ressaca e a coceira – e ser acordado no susto com a Dança do créu, velocidade 5, a 100 decibéis: CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉU, CRÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉU!

Em nome da sobrevivência, sua inteligência emocional pode encarar até o nível 3 de incompatibilidade. Mais do que isso é tortura!

 

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Patinho feio é o caramba! Apenas um cisne fora do seu ambiente

Até chegarem ao seu universo de afinidades, muitas pessoas raras e especialíssimas sentem-se desajeitadas, deslocadas, incompreendidas e às vezes até envergonhadas. Como o patinho feio da fábula de Hans Christian Andersen.

Na porta de entrada, essa história faz considerações sobre o amor incondicional de mãe (a mãe pata ama o filho “feio” tanto quanto os outros) e sobre a rejeição ao que foge aos padrões (estéticos, comportamentais etc.). Numa terminologia mais moderna, fala sobre bullying e preconceito.

Na porta de saída, que é a mesma da entrada vista pelo outro lado, a fábula nos fala da necessidade de encontrarmos nossos “semelhantes” – aqueles que habitam nosso universo de afinidades – para nos reconhecermos e para sermos reconhecidos em nossa verdadeira natureza.

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Que coisa! O patinho feio era na realidade um cisne “gatésimo” e cheio de charme, mas jamais floresceria se ficasse entre os patos.

Moral da história: não é você que é inadequado, você só está fora do “seu” lugar. Acabou pagando o pato por isso. É preciso pegar a estrada, mesmo com os apertos do caminho, para chegar ao seu lago e vicejar.

 

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Cena de”Grease – Nos tempos da brilhantina.”

 

Como se estabelecem as afinidades?

Esse é um mistério tão grande quanto o esconderijo das cabeças de bacalhau. Tentei pegar uma “colinha” nas definições do termo no campo do direito, da química, da sociologia, da biologia, da linguística e por aí vai, mas não me dei bem.

A afinidade entre almas permanece incompreensível. Não necessariamente você vai fazer esse vínculo com pessoas da sua religião, que tenham a mesma visão política que você, a mesma condição financeira, as mesmas referências culturais, o mesmo grau de instrução, a mesma competência linguística. Bonito! As afinidades são democráticas e inclusivas, ao contrário das relações firmadas por interesses.

Certamente elas têm alguma ligação com os valores, propósitos de vida, vivências afetivas e com a natureza específica da sensibilidade de cada um. Isso não explica muita coisa, mas já é uma pista. Eu realmente não sei quais são os outros ingredientes desse bolo. Mas, vem cá, a gente precisa conhecer a receita completa pra sentir que a comida é gostosa?

 

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John Travolta e Olivia Newton-John em cena de “Grease – Nos tempos da brilhantina.”

 

Nunca é tarde pra você virar o cisne que nasceu pra ser.

Muitas vezes, por necessidade ou por medo, acabamos nos afastando da nossa turma e da nossa praia. Isso acontece, por exemplo, quando trabalhamos somente por dinheiro, quando fazemos apenas “obrigações”, quando enterramos nossa vocação em troca de um emprego público em qualquer área, quando, com a maldita desculpa da falta de tempo, deixamos de nos nutrir emocional e espiritualmente.

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Nessas situações, é como se colocássemos máscaras de pato (ou de Mulher Maravilha, ou de Homem de Ferro), mais ou menos grotescas, escondendo nossa face e nossos dons para garantir o pão, a monotonia e a mediocridade de cada dia.

Só que essas máscaras pesam, sufocam e dão espinhas. A gente às vezes faz isso pro corpo sobreviver, esquecendo que a alma também morre de inanição.

Então, por favor, se você é cisne, tire essa máscara de pato e vá procurar sua turma, onde quer que ela esteja, qualquer que seja a sua idade. Corra para o seu lago! Se não for possível ir pra lá hoje mesmo (sei que a vida não está fácil pra ninguém!), pelo menos faça um planejamento pra conseguir isso. Não adie pra sempre a viagem rumo ao seu universo de afinidades. Você sabe muito bem o que acontece a um peixe fora da água.

Andréia Mello 

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