Um mundo sem idade pode te libertar da culpa

0 Flares Filament.io 0 Flares ×

Cê quer mudar a carreira inteira, começar do zero, terminar o casamento, voltar a fazer teatro, viajar sozinho(a) ou simplesmente ler esse texto até o final…mas tá sem tempo pra isso, né? O sentimento é de cansaço, incapacidade, falta de energia e de coragem pra fazer tudo de novo, pra começar qualquer coisa do zero.

Essa sensação de correr pra fazer o que está no cronograma chama-se padrão societário e foi apelidado carinhosamente de rotina pra gente se acostumar mais fácil. Esse adestramento amarra o mundo desde Matuzalém e está levando você ao fracasso e à loucura [ao mesmo tempo].

Nesse porta-retrato velho chamado sistema, tem uma foto sua com essa cara infeliz há décadas. Olhando mais de perto, tem empresa vendendo o produto errado para o público errado há séculos, tem gente vivendo no automático porque desconhece o cheirinho da auto realização, tem pessoas incríveis esquecendo o que é escolher por si e não pelo que esperam delas.

 

Rotina-3-300x159

Estamos velhos demais pra isso [e pra aquilo e pra qualquer outra coisa].

Um conceito absurdamente incrível, cunhado pela Box1824, Youth Mode é, de forma bem simples MESMO, a morte da idade. É abrir a mente velha para uma juventude não etária, que tira das pesquisas o 18 a 24, tira das métricas o teen ou a melhor idade, tira dos produtos o 40+ e liberta o mundo de uma forçosa cronologia para se entregar em tempo hábil ao que o sistema quer [na hora], como uma velha chata ouvindo rádio durante uma vida inteira.

Leia: Cada um envelhece como quer

“Juventude não é liberdade em um sentido político. É uma emancipação do tédio, do previsível, da tradição. É atingir um potencial máximo: a habilidade de ser a pessoa que você quer ser. ”

Dos milhares de estilhaços que voam da nossa cabeça quando o conceito quebra essa visão cristalizada, fica um caquinho dos mais importantes:

85-300x200

E se eu parar de considerar a idade? E se eu começar a viver?

A revolução é imediata [e começa só da gente imaginar a consequência]. Faz o teste aí, agora. Responde em voz alta mesmo, como um(a) louco(a) do bem:

Como seria sua vida se você não tivesse nenhuma amarra, se nada fosse tarde demais para começar a ser realizado, se não houvesse vergonha nenhuma em querer experimentar coisas novas?

Se você TOCASSE O FODA-SE para o que te prende em caixas, independente da data cravada na sua carteira de identidade?

Ser jovem é uma escolha. Envelhecer não.

Essa visão mais livre nos provoca a repensar a comunicação de uma forma incrível. Quando uma marca está falando com seu público considerando o antigo trio classe social, gênero e faixa etária, está deixando escapar nuances importantíssimas, que podem salvar sua permanência no mercado daqui pra frente.

Leia: Como a idade transforma a felicidade

Quem disse que velhinha fica em casa vendo novela? Até quando cunhar vô e vó como um ser pacato, débil e fofo é cool? Pra quê tanto padrão, massificação, generalização se pessoas são infinitas?

intensitude-7-300x200

Quem disse que fico em casa assistindo novela?

Pois vamos te contar: porque a carcomida indústria da publicidade e propaganda é preguiçosa e burra. É uma senhorinha feita pra casar, cuidar do marido e não se permite olhar pela janela. Só que ela não casou, ficou amarga, caquética, agressiva e joga pra ganhar.

O resultado disso é o pior: nós que somos os reféns da sua mensagem retrógrada desde o início dos tempos. Até hoje, achamos normal pensar nas pessoas como produtos que nascem, crescem, compram Coca-Cola, reproduzem-se com culpa e morrem dignos de uma admiração inexistente.

Chegou a hora de matar essa velhinha de cócegas. No universo do intangível, pessoas são únicas e marcas precisam, como nunca, tomar Viagra, retomar o fôlego e estudar PRA CACETE seus nichos, as particularidades e o comportamento de seus públicos, considerando verdadeiramente todos eles como co-criadores de seus produtos e serviços.

Esse desafio não aceita bengala. É preciso se firmar com os pés bem fincados num chão feito de profissionalismo, dados, pesquisas, estudo, conhecimento e uma dose cavalar de sensibilidade.

Opa, pera: você disse sensibilidade? Então as marcas terão que ser mais sensíveis?

Muito mais que isso:

“Marcas terão que ser humanas pra entender que o humano é maravilhosamente complexo e não categorizável ou passível de ser encaixado num briefing”.

Bom, quer falar mais disso? Chama a gente pra almoçar na sua casa, com suco de melancia, inclusive, que a gente ama. Vamos pensar mais fundo, porque a vida aqui ó: tá só começando…

Texto escrito e gentilmente concedido por: Marcela Bueno  

Publicado originalmente no Medium

Deixe seu Comentário