Lições de uma atleta que venceu aos 64 anos a mais difícil modalidade do mundo

Fotografia: Antonio Olmos
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A história da atleta Diana Nyad, única à concluir a travessia do Golfo de Cuba para a Flórida é quase impossível de acreditar. Aos 64 anos na época, em sua quinta tentativa, Diana Nyad finalmente conseguiu sua ambição: ser a primeira pessoa a nadar de Cuba para a Flórida sem uma gaiola de tubarões.

Usando apenas um maiô de tecido fino, nadou entre as águas mais traiçoeiras da Terra, contra correntes e redemoinhos, um estreito infestado de tubarões. Demorou 53 horas, onde ela não dormiu nem parou enquanto percorria uma distância de 110 milhas (180 km).

Uma façanha que a maioria dos especialistas em águas abertas disseram ser impossível. Nadadores, incluindo Nyad, tentaram e falharam durante anos. Sua primeira tentativa  foi em 1978 aos 28 anos de idade. Dois anos depois, ela se aposentou da natação competitiva e passou os próximos 30 anos, trabalhando numa transmissora esportiva.

Quando sua mãe faleceu, ela decidiu tentar novamente, tinha na época 60 anos. “Eu simplesmente não queria ter arrependimentos. Continuei pensando em todas as coisas da minha vida que eu poderia ter feito de maneira diferente. Minha mãe morreu aos 82 anos, percebi que eu só demoraria 22 anos, queria apenas ter certeza de que eu realmente os vivi “.

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61-Year-old Diana Nyad trains to swim from Key West, Florida to Cuba.

Sua segunda tentativa falhou 29 horas depois, Nyad teve um ataque de asma. Mais tarde naquele mesmo ano, tentou novamente, mas foi ferida por água-viva, uma das criaturas mais venenosas da Terra. No ano seguinte, tentou novamente, e depois de mais ferimentos e uma tempestade, falhou novamente.

A maioria das pessoas que sofreram lesões de água-viva morreram, disse ela: “Noventa por cento das pessoas que tiveram contato com os tentáculos desse animal marinho, morrem instantaneamente. É hoje o veneno mais mortal da Terra. Sem aranha, sem enguia, nenhuma serpente tem um veneno tão eficaz. Paraliza sua medula espinal e para sua respiração”.

Cada tentativa foi uma expedição, com uma enorme equipe de mergulhadores, médicos e navegadores. Seus amigos mais próximos imploravam que desistisse. Mas ela não desistiu. E em 2013, aos 64 anos, ela finalmente conseguiu. Chegou à costa no Key West da Flórida, caminhou até a praia sem ajuda, e caiu nos braços de um torcedor.

Não era realmente sobre esporte, era sobre resistir. “Lembro-me de sair e ver os rostos da multidão na praia, todos emocionados. Percebi depois, que eles não estavam chorando porque alguém finalmente conseguiu ou estabeleceu algum recorde. Eles choravam, porque viram alguém que se recusava a desistir.  Todos temos experiência nisso, seja contra câncer, educando um jovem difícil, ou o que quer que seja “.

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“ENCONTRE UM CAMINHO” Poster

Em suas memórias, ela conta que ficou com raiva quando alguém lhe disse que ela era muito velha para isso. “Eles disseram: ‘Whoa! Você tem 60 anos, não deveria estar fazendo isso!

“Mas você sente como se sente. Idade, gênero, nada deve ser uma barreira. Eu não tenho 25 anos, não tenho 45 anos, tenho 66 anos e não posso fazer nada sobre envelhecimento. Olho no espelho e, claro, meu rosto mostram os anos vividos. Meu corpo carrega mais gordura do que eu tinha quando mais jovem. O que eu vou fazer? Me preocupar com isso? Qualquer momento que eu passe preocupada com a minha idade, é apenas um desperdício do momento “.

Durante todo o caminho, Diane carregou três mensagens que ela falou a multidão em seu momento de triunfo final:

1 Nunca, nunca desista.

2 Você nunca é muito velho para perseguir seus sonhos.

3 Parece um esporte solitário, mas é uma equipe.

 

Diana Nyad, (68 anos)
Link original em inglês: The Guardian 

Livro: Find a Way: One Untamed and Courageous Life (ainda sem tradução ao português)

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