Imagina, você está ótima!

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Tem uma coisa muito louca quando se fala sobre “idade”. O povo se acovarda, leva susto. Parece até que é palavrão, credo. As pessoas não querem ouvir, não querem falar. Vai muito além do tradicional “esconder a idade”, que já virou clichê e eu sempre achei uma besteira sem fim. O lance é não querer nem ouvir falar, espantar o tema, fazer um “xô, assunto”, afe! Parece mesmo um medo lascado de envelhecer, só pode. E isso entre pessoas novas, de vinte, de trinta anos.

Juro que fico meio chocada quando, entre amigos, falo algo no sentido de “não tenho mais idade pra isso” ou “já passei dessa fase” ou seja lá o que for, e as pessoas se apressam em responder com frases na linha: “quêêêiiiisso, mulher, tu tá nova!” ou “imagina, que idade o quê” ou ainda “nossa, mas nem fale isso, nem parece”… e por aí vai.

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Qualé, meu povo? Não falo essas coisas de “não ter mais idade pra isso” pra justificar nada não, é só da natureza mesmo. Claro que tem gente de 60 que curte balada, mas, né? Cada um cada um. Só acho que negar a idade não adianta nada, só segura a ficha, coitada, que não cai. E sim, a idade faz diferença sim. Ora se não faz. E qual é o problema? Quem tem 20 também não curte as coisas que curtia aos 10 anos, certo? Então pronto.

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Pois eu adoro a idade que tenho, não tenho problema nenhum em ser uma quase cinquentona, eu adorei meus 30, meus 40, e com certeza vou curtir bem muito os meus 50! Claro que espero sinceramente que a porra da menopausa não seja um pé no saco, já tive umas amostras de uns calorões filhos-da-puta. Mas fora isso, tudo bem! Cuido da alimentação, procuro errar menos… Acho que já errei o suficiente. Na verdade eu errei para caramba.

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Eu me cuido muito menos por vaidade e muito mais porque pari tarde — aos 40 — e quero estar viva/inteira/gatona pra curtir minha filha, pra ver minha menina uma moçona, ver nascer um neto, segurar um neto, banhar um neto… e não apenas babar (literalmente) em cima do pobre do neto.

Sei que meu corpitcho não é mais aquela maravilha curativa toda, já se passou meu tempo de Luana Piovani (já me chamaram disso, acredita?), já tá caindo aqui e acolá, tem uns mondronguinho nas pernas, na bunda, o bucho tá meio empacado, difícil de baixar… Mas estou malhando e até que estou ficando bem bacaninha. Faço “presença” de biquini na praia, se quer saber. Ainda “causo”. Causo um pouco de constrangimento… Rá!

Mentira, eu tô legal.

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Pra ser bem sincera, mais do que isso que tenho de corpo eu acho que nem dou mais conta de usar, então tá bão demais.

Aliás, tenho muito o que agradecer ao meu DNA, eu realmente tenho muito mais sorte do que juizo, sempre tive, inclusive com essas questões de físico e tals. O lado “que merda” do meu DNA é uma brancura que eu juro que não fazia questão, mesmo porque acho um saco protetor solar e qualquer meleca cremosa pra passar no corpo. Não gosto de cremes, não passo antirrugas, hidratantes, filtro solar. Não passo, Bial, não adianta. Mas esses cremes bloqueadores, fator 30, 60, grudentos e cheirosos… Só se eu fosse jogar frescobol na praia ao meio dia, coisa que não tem o menor perigo de acontecer.

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O que eu queria, mesmo, era que as pessoas não me cortassem desesperadas quando falo alguma coisa referente à idade, dizendo “que isso!”, “imagina!”, “nããão, você tá bem”… Eu sei que estou bem, uma coisa não anula a outra. Sacou? Não precisa ter medo de envelhecer, meu povo. A gente tem que lembrar que a outra alternativa fica a sete palmos do chão.

Bueno, eu mesminha prefiro ficar por aqui um pouco mais. Uns 40 ou 50 anos mais. Vou ficar na boa. Velha, sim, se Deus quiser. E gostosona, enquanto der no jeito.

Texto escrito e gentilmente concedido por: Clarisse Ilgenfritz  

Originalmente publicado no Medium

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