Conheça a História de Determinação e Coragem da Marília!

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“Sempre gostei de mudanças na vida…

Me divorciei do meu marido quando minha filha tinha 5 anos, não foi fácil! Após alguns anos sozinha, conheci meu segundo marido Derek, um Sul-Africano. Começamos a namorar e sinceramente nunca pensei em me mudar de São Paulo para África. Mas após dois anos, entre idas e vindas Brasil/África, resolvemos nos casar e tentar viver Joanesburgo.

Minha família enlouqueceu: como África? Mudar? E sua filha? E o pai dela? Ninguém acreditava na possibilidade.

Derek precisou voltar e disse que ficaria me esperando, mas foi no final de 2004 que decidi realmente mudar. Na época minha filha, Alice, estava com 13 anos e ficava dividida, queria e não queria ir.

Foi difícil a adaptação, mas aos pouco fomos conhecendo pessoas e fazendo amizades, amizades estas, que tenho até hoje!

Meu inglês enferrujado foi melhorando. Eu era advogada em São Paulo e não foi nada fácil conseguir trabalho em Johanesburgo. Meu primeiro emprego foi em um escritório de detetive particular, um trabalho muito utilizado aqui.

Outra grande dificuldade foi a escola para minha filha, ela teria que retroceder 3 anos da atual série que estava no Brasil. Resolvemos que o melhor seria ela fazer um intercâmbio, e só aperfeiçoar seu inglês.

A propósito, o inglês falado aqui pelos negros, tem sotaque da língua maternal deles (Zulu ou Xhosa), com freqüência estas diferentes pronúncias geravam algum equívoco, quase sempre  relacionado com comida. Os Sul-Africanos amam pimenta!! Quase morremos de tanto come-las. Ríamos com a boca pegando fogo, era preciso duas Fantas (popular aqui) para amenizar a ardência.

Quanto aos amigos, fomos conhecendo muita gente. Costumávamos ir a barzinhos no fim de semana. Aqui todos vão juntos, pais e filhos, tem música ao vivo, mesas de sinuca, tela para ver esportes. As crianças e adolescentes estão sempre juntos de seus pais. Acho muito bacana, porque você pode ver o que eles estão fazendo, com quem, gostei da idéia de imediato!

Recebíamos muitos convites para ir a churrascos e festas. Todos sempre nos trataram com máximo respeito e educação, uma caracteriza dos Sul-Africanos. Fomos nos sentimos em casa, nossa segunda casa.

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Já entre eu e meu marido…

Bem, as coisas não estavam muito boas. Além disso, tive que tomar uma decisão mais dolorosa da minha vida: deixar minha filha voltar ao Brasil para terminar os estudos, minha única filha longe de mim. Meu coração doeu muito, mas foi uma boa decisão no final.

Algum tempo depois me divorciei, mas decidi ficar pois já amava este país. Vivo aqui a onze anos, e  volto ao Brasil com frequência para visitar minha filha, que está já está concluindo a Pós Graduação!

Não me arrependo de nada! Sigo trabalhando e vivendo, sempre sendo muito bem acolhida pelos Sul-Africanos.

Foram anos de luta, muitas vezes eu tive vontade de desistir. Mas não joguei a toalha, acreditava em mim! Pensava como os alquimistas: perseverar, perseverar, perseverar.

Muitos pessoas me desanimavam, me chamavam de louca, mas eu não desisto fácil. Fui seguindo com fé e luta, e me sinto vitoriosa!

Hoje agradeço a todos que me ajudaram, inclusive aqueles que me disseram para desistir! É maravilhoso acreditar em si mesmo e seguir em frente, ainda tenho muito para fazer e aprender.

Espero que meu depoimento inspire as pessoas que querem mudar suas vidas, mesmo que todos estejam contra, mesmo sem apoio, vale a pena amplificar os horizontes e realizar os seus sonhos!”

Marília Martone – 52 anos

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